Esquizofrenia hebefrênica: o que era o subtipo desorganizado

Entenda o que era esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada, suas características históricas e como esses sintomas são descritos hoje.

Jovem sentado com expressão de confusão, cercado por representações de pensamentos desorganizados, fala desconexa, emoções inadequadas ao contexto e comportamentos desorganizados, ilustrando manifestações associadas à esquizofrenia hebefrênica.

Seja bem-vindo ao Abrigo Mental. “Esquizofrenia hebefrênica” é um nome que ainda aparece em pesquisas, documentos e materiais antigos sobre saúde mental. Em outros lugares, a pessoa pode encontrar “esquizofrenia desorganizada” e ficar sem saber se os dois termos significam a mesma coisa ou se ainda representam diagnósticos atuais.

Esses nomes pertencem à história das classificações da esquizofrenia. Na CID-11 (Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão) e no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição), a desorganização continua sendo importante para a avaliação e o cuidado em saúde, mas deixou de definir um subtipo fixo.

O que era esquizofrenia hebefrênica

Na CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão), publicada pela Organização Mundial da Saúde, F20.1 correspondia à esquizofrenia hebefrênica. Ela fazia parte da antiga divisão da esquizofrenia em diferentes subtipos.

Para usar essa categoria, o profissional precisava avaliar se os critérios gerais de esquizofrenia estavam presentes.

Para compreender o transtorno sem reduzi-lo a uma categoria histórica, o artigo sobre o que é esquizofrenia apresenta a visão mais ampla do tema.

Como a desorganização era descrita

Na CID-10, a descrição incluía pensamento desorganizado, que podia se expressar em uma fala que se afastava do assunto ou se tornava difícil de acompanhar.

Também aparecia o comportamento desorganizado ou pouco dirigido a objetivos: a pessoa podia ter dificuldade para organizar suas ações e dar continuidade ao que pretendia fazer.

As alterações do afeto, isto é, da expressão emocional, também tinham destaque. Essa expressão podia parecer reduzida ou pouco relacionada à situação vivida.

Delírios (crenças mantidas apesar de evidências contrárias) e alucinações (percepções sem uma fonte externa) poderiam estar presentes, mas não deveriam predominar sobre essas características.

Para confirmar que o padrão persistia, a orientação para a avaliação profissional da CID-10 geralmente recomendava dois ou três meses de observação continuada. Essa era uma orientação histórica para avaliação profissional, não um teste atual nem um prazo para esperar atendimento.

Fala desorganizada ou comportamento desorganizado precisam ser compreendidos dentro de um contexto mais amplo da saúde da pessoa. Um sinal isolado não determina nem o antigo subtipo nem o diagnóstico de esquizofrenia.

Hebefrênica e desorganizada são o mesmo termo?

Os dois nomes aparecem porque diferentes sistemas de classificação usaram nomes diferentes para categorias correspondentes.

A CID-10 utilizava “hebephrenic schizophrenia”, traduzida como esquizofrenia hebefrênica.

O DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4ª edição) utilizava o termo “disorganized schizophrenia”, ou esquizofrenia desorganizada, para uma categoria correspondente. Essa aproximação entre os nomes não torna todos os critérios dos dois sistemas idênticos.

O DSM-5 retirou os antigos subtipos paranoide, desorganizado, catatônico, indiferenciado e residual. Entre os motivos apresentados estavam limitações relacionadas à manutenção da mesma classificação para uma pessoa ao longo do tempo, obtenção de resultados semelhantes em diferentes avaliações e capacidade de distinguir diferentes formas de a esquizofrenia se apresentar.

A CID-11 seguiu uma mudança semelhante e também eliminou os antigos subtipos, incluindo o hebefrênico.

Na CID-11, pensamento e comportamento desorganizados aparecem entre os sintomas positivos, nome dado a um grupo de alterações que inclui experiências e comportamentos que passam a fazer parte da vida da pessoa. A classificação permite descrever esses sinais e sua intensidade sem usar um subtipo fixo chamado hebefrênico ou desorganizado.

Quando o termo histórico merece atenção

Encontrar “esquizofrenia hebefrênica” em um documento pode ser compatível com a CID-10 usada naquele registro. Já “esquizofrenia desorganizada” pode refletir a escolha de nomes do DSM-IV.

No Brasil, registros em CID-10 podem permanecer durante a transição. A Nota Técnica nº 91/2024 do Ministério da Saúde prevê o início do uso da CID-11 nos sistemas que registram e acompanham informações sobre a saúde da população em janeiro de 2027.

Como interpretar essa nomenclatura com cuidado

Ao ler o registro, localize a edição da classificação e o código citado. A data e o contexto do material ajudam a interpretá-lo, mas a data sozinha não informa qual sistema foi utilizado.

As classificações mudam, mas alguns sinais continuam sendo observados e descritos. No caso da esquizofrenia hebefrênica, o subtipo foi retirado da CID-11; a desorganização, não.

Quem encontra “hebefrênica” e “desorganizada” como se fossem dois diagnósticos separados pode se beneficiar desta distinção. Compartilhe o conteúdo com essa pessoa e, se desejar, apoie voluntariamente o Abrigo Mental para que o projeto continue produzindo explicações acessíveis e responsáveis.

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