Esquizofrenia hebefrênica: o que era o subtipo desorganizado

Entenda o que era esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada, suas características históricas e como esses sintomas são descritos hoje.

Homem adulto sentado em uma poltrona em uma sala com livros e papéis espalhados pelo chão e pela mesa.

Resumo rápido

  • Esquizofrenia hebefrênica era a categoria F20.1 da CID-10, marcada historicamente pela predominância de desorganização do pensamento, da fala e do comportamento.
  • O termo “desorganizada” foi usado em classificações do DSM para uma categoria correspondente, enquanto a CID-10 usava “hebefrênica”.
  • A CID-11 e o DSM-5 retiraram esses antigos subtipos, mas pensamento e comportamento desorganizados continuam sendo manifestações reconhecidas da esquizofrenia.

“Esquizofrenia hebefrênica” é um nome que ainda aparece em pesquisas, documentos e materiais antigos sobre saúde mental. Em outros lugares, a pessoa pode encontrar “esquizofrenia desorganizada” e ficar sem saber se os dois termos significam a mesma coisa ou se ainda representam diagnósticos atuais.

Esses nomes pertencem à história das classificações da esquizofrenia. A desorganização continua sendo clinicamente relevante, mas não funciona hoje como um subtipo fixo da mesma maneira que ocorria em sistemas anteriores.

Mito Se o subtipo hebefrênico foi retirado, pensamento e comportamento desorganizados deixaram de fazer parte da esquizofrenia.

Verdade O que foi abandonado foi a divisão em subtipos fixos. A desorganização continua sendo reconhecida na descrição contemporânea da esquizofrenia.

O que era esquizofrenia hebefrênica

Na CID-10, publicada pela Organização Mundial da Saúde, F20.1 correspondia à esquizofrenia hebefrênica. Ela fazia parte da antiga divisão da esquizofrenia em diferentes subtipos.

A descrição histórica dava destaque principalmente a alterações do afeto, à desorganização do pensamento e da fala e a um comportamento também desorganizado ou pouco dirigido a objetivos.

Delírios e alucinações poderiam estar presentes, mas não deveriam ocupar a posição dominante naquela apresentação.

Essas características ajudavam a diferenciar o subtipo hebefrênico de outros subtipos previstos pela CID-10. Era, portanto, uma forma classificatória de organizar determinada apresentação da esquizofrenia dentro daquele sistema.

Isso não significa que qualquer pessoa com fala confusa, comportamento desorganizado ou alguma alteração afetiva pudesse ser enquadrada nessa categoria.

Esses elementos faziam parte de uma avaliação diagnóstica mais ampla. Isolados, não serviam para estabelecer esquizofrenia nem para concluir que alguém apresentava o antigo subtipo hebefrênico.

Para compreender o transtorno sem reduzi-lo a uma categoria histórica, o artigo sobre o que é esquizofrenia apresenta a visão mais ampla do tema.

Como a desorganização era descrita

A ideia de desorganização ajuda a entender por que essa antiga categoria também ficou conhecida, em outro sistema classificatório, como “esquizofrenia desorganizada”.

Na CID-10, a descrição incluía pensamento desorganizado, que podia se expressar em uma fala divagante ou incoerente.

Também aparecia o comportamento desorganizado ou pouco dirigido a objetivos. Dentro daquela classificação histórica, esses aspectos tinham peso importante para caracterizar F20.1.

As alterações do afeto também eram proeminentes na descrição da categoria.

Ao mesmo tempo, delírios e alucinações não eram necessariamente ausentes. A diferença era que, naquele subtipo, eles não deveriam dominar a apresentação.

Esse ponto evita uma simplificação comum: não era correto pensar que a esquizofrenia hebefrênica significava apenas “esquizofrenia sem delírios ou alucinações”. A classificação histórica permitia que esses sintomas estivessem presentes, desde que a desorganização e as demais características típicas ocupassem posição predominante.

Também é importante não transformar esses exemplos em uma lista de identificação por conta própria.

Fala desorganizada ou comportamento desorganizado precisam ser compreendidos dentro de um contexto clínico mais amplo. Uma manifestação isolada não determina nem o antigo subtipo nem o diagnóstico de esquizofrenia.

Hebefrênica e desorganizada são o mesmo termo?

Os dois nomes aparecem porque diferentes sistemas classificatórios usaram terminologias distintas para categorias correspondentes.

A CID-10 utilizava “hebephrenic schizophrenia”, traduzida como esquizofrenia hebefrênica.

Já classificações anteriores do DSM, como DSM-III-R e DSM-IV, utilizaram o termo “disorganized schizophrenia”, ou esquizofrenia desorganizada.

Por isso, é comum encontrar os nomes lado a lado em explicações históricas.

Essa correspondência não significa, porém, que “esquizofrenia desorganizada” continue sendo uma categoria diagnóstica atual.

O DSM-5 retirou os antigos subtipos paranoide, desorganizado, catatônico, indiferenciado e residual. Entre os motivos apresentados estavam limitações relacionadas à estabilidade diagnóstica, confiabilidade e validade dessas subdivisões.

A CID-11 seguiu uma mudança semelhante e também eliminou os antigos subtipos, incluindo o hebefrênico.

O resultado é uma mudança importante na maneira de falar sobre essas manifestações: em vez de classificar a pessoa dentro de um subtipo fixo chamado “hebefrênico” ou “desorganizado”, a classificação atual descreve diferentes dimensões da apresentação.

Pensamento e comportamento desorganizados continuam reconhecidos.

Na abordagem dimensional relacionada à CID-11, eles aparecem dentro do domínio dos sintomas positivos. Assim, a desorganização não desapareceu da compreensão da esquizofrenia; ela apenas deixou de definir sozinha uma categoria fixa de subtipo.

Quando o termo histórico merece atenção

Encontrar “esquizofrenia hebefrênica” em um documento antigo pode ser perfeitamente compatível com a classificação utilizada naquele período.

Da mesma forma, encontrar “esquizofrenia desorganizada” em um material baseado em versões anteriores do DSM pode refletir a terminologia daquele sistema.

O problema surge quando esses nomes são apresentados hoje sem explicar que a classificação mudou.

Isso pode levar o leitor a acreditar que existem atualmente diagnósticos separados chamados “esquizofrenia hebefrênica” e “esquizofrenia desorganizada”, quando os antigos subtipos já foram abandonados.

Outro risco é tentar reconhecer a categoria histórica observando apenas a fala ou o comportamento de alguém.

Pensamento desorganizado e comportamento muito desorganizado continuam aparecendo nas descrições contemporâneas da esquizofrenia, mas não funcionam como uma confirmação diagnóstica isolada nem recriam automaticamente o antigo F20.1.

Por isso, o contexto da nomenclatura é tão importante quanto o termo em si.

Saber qual classificação está sendo usada ajuda a distinguir uma descrição histórica de uma forma atual de organizar os sintomas.

Como interpretar essa nomenclatura com cuidado

Ao encontrar os termos “hebefrênica” ou “desorganizada”, alguns cuidados ajudam a compreender o que está sendo dito sem transformar a nomenclatura em rótulo.

  1. Identifique o sistema classificatório. Na CID-10, F20.1 correspondia à esquizofrenia hebefrênica. Versões anteriores do DSM usavam o termo “desorganizada” para uma categoria correspondente.
  2. Separe o subtipo histórico das manifestações clínicas. O subtipo foi retirado, mas pensamento, fala e comportamento desorganizados continuam reconhecidos na descrição da esquizofrenia.
  3. Não use a desorganização como diagnóstico isolado. Uma fala confusa ou um comportamento desorganizado, fora de contexto, não permitem concluir que existe esquizofrenia nem recuperar o antigo diagnóstico de F20.1.
  4. Leia documentos antigos dentro da época em que foram produzidos. Um termo histórico pode refletir corretamente a classificação vigente naquele momento sem corresponder à nomenclatura usada atualmente.

As classificações mudam, mas alguns fenômenos clínicos continuam sendo observados e descritos. No caso da esquizofrenia hebefrênica, o subtipo foi retirado; a desorganização, não.

Perguntas frequentes

Esquizofrenia hebefrênica ainda existe como diagnóstico?

Não como o antigo subtipo F20.1 da CID-10. A CID-11 retirou os subtipos de esquizofrenia, incluindo o hebefrênico. A esquizofrenia continua sendo reconhecida, mas sua apresentação não é mais organizada por essa divisão fixa.

Esquizofrenia hebefrênica e esquizofrenia desorganizada são a mesma coisa?

Os termos vieram de sistemas classificatórios diferentes para categorias correspondentes. A CID-10 utilizava “hebefrênica”, enquanto versões anteriores do DSM usavam “desorganizada”. Esses antigos subtipos foram retirados das classificações contemporâneas.

Desorganização da fala ou do comportamento ainda pode aparecer na esquizofrenia?

Sim. Pensamento e comportamento desorganizados continuam reconhecidos nas descrições contemporâneas da esquizofrenia. A mudança foi deixar de usá-los para definir um subtipo fixo chamado hebefrênico ou desorganizado.

O que vale lembrar

Esquizofrenia hebefrênica foi uma categoria oficial da CID-10, identificada como F20.1. Sua descrição histórica dava destaque à desorganização do pensamento, da fala e do comportamento, além de alterações do afeto.

Em versões anteriores do DSM, uma categoria correspondente recebeu o nome de esquizofrenia desorganizada. Tanto a CID-11 quanto o DSM-5 abandonaram essa organização em subtipos.

A desorganização, porém, não desapareceu da compreensão clínica da esquizofrenia. Ela continua sendo uma manifestação reconhecida, mas não deve ser usada isoladamente para estabelecer diagnóstico nem para classificar alguém dentro de um antigo subtipo.

Fontes consultadas

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